Estatísticas

Brasil com Fome: Por Que Retrocedemos?

No Brasil, um país conhecido pela sua fertilidade territorial e potencial agrícola, algo inaceitável está acontecendo: milhões de pessoas passam fome. Enquanto o mundo nos olha como uma nação capaz de alimentar continentes, aqui, dentro de nossas próprias fronteiras, famílias abrem garrafas de água com olhos cheios de desespero e crianças aprendem a conviver com o vazio na barriga. Como chegamos a esse paradoxo?

A resposta não é simples, mas é urgente. Vamos despir a realidade com a clareza que a verdade exige. Primeiro, é preciso reconhecer que a fome no Brasil não é nova. Desde os anos 1990, quando vivi nas redações de rádio denunciando o impacto da miséria, a pobreza sempre esteve presente. No entanto, nos últimos anos, ela voltou com força, como um fantasma que ninguém quis caçar.

O que está por trás desse retrocesso?
A agricultura brasileira é uma máquina de produção. Somos um dos maiores exportadores de grãos do planeta. Por que, então, tantos brasileiros não têm acesso à comida? A resposta está na desigualdade estrutural. A renda, a distribuição de terras e a falta de políticas públicas consistentes criaram um abismo entre quem produz e quem consome. Enquanto grandes fazendas exportam toneladas de soja, milho e carne, os pequenos produtores lutam para sobreviver, e os mais vulneráveis dependem de programas que oscilam conforme os governos mudam.

Além disso, a crise econômica que assombra o país nos últimos anos aprofundou as feridas. O desemprego, a precarização do trabalho e a inflação corroem o poder de compra das famílias. Um salário mínimo que mal cobre as contas, aliado a preços de alimentos que sobem como um foguete, é uma fórmula para o desastre.

A política: aliada ou vilã?
Políticas públicas devem ser o remédio para essas dores, mas, muitas vezes, se transformam em paliativos ou até em parte do problema. Programas como o Bolsa Família foram vitais, mas sua redução ou desmonte em épocas de crise agrava a situação. A falta de investimento em educação alimentar e na reforma agrária perpetua um ciclo: quem não tem terra, não produz; quem não produz, depende; e quem depende, vive na corda bamba da caridade.

Não podemos ignorar o impacto das crises globais. A guerra na Ucraina, os bloqueios comerciais e a desestabilização de mercados internacionais afetaram a cadeia de suprimentos. Mas, enquanto isso, a falta de planejamento interno — como estoques estratégicos de alimentos — mostrou que o Brasil ainda não aprendeu a lição da vulnerabilidade.

O que podemos fazer?
A solução não é mágica, mas exige coragem. Primeiro, políticas de longo prazo que priorizem a agricultura familiar e a inclusão social. Segundo, investir em educação para que as pessoas entendam como aproveitar melhor os recursos que têm. Terceiro, combater a corrupção que rouba recursos destinados a programas sociais.

Mas a sociedade também tem seu papel. Empresas precisam olhar para a responsabilidade social não como uma obrigação, mas como uma oportunidade de transformar vidas. Já os cidadãos podem pressionar por transparência e cobrar dos governantes resultados concretos.

A esperança existe?
Sim, mas ela não virá sozinha. O Brasil já mostrou que é capaz de reduzir a fome quando se organiza. No passado, programas como o Fome Zero deram esperança. Hoje, precisamos de uma nova revolução — não armada, mas de consciência. Uma revolução que entenda que acabar com a fome é não apenas um direito humano, mas um ato de justiça.

Enquanto isso, o Pacifista segue aqui, como um farol, iluminando caminhos e mostrando que, sim, é possível reconstruir um país onde ninguém precise escolher entre pagar a conta ou encher a barriga.

Andrews Stayneer

Radialista, jornalista e especialista em comunicação. Comprometido com a verdade, não com agendas, livre Viés, apartidário.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo